Eu sei que não sou tradicional, não sou o tipo de garota que adorava vestir a Barbie de noiva: eu bebo, fumo, falo palavrão e soluço sem pudor algum em filmes de drama. Só que você também não é tradicional, não é o cara que minha mãe sonhou pra mim. Você gosta de inovar… e as coisas novas estão acabando. O mundo de tão louco está ficando chato. Raso. Superficial. Então eu pensei comigo mesma… Vamos fazer uma loucura definitiva? Um voto sincero no meio dessa sociedade perdida? Vamos nos casar? Ou melhor, vamos dividir? Dividir o sobrenome, um colchão no chão, as contas da loja de doces, e ás vezes, me desculpe, o travesseiro e a tigela de sucrilhos. Vamos remar? Mesmo com o barco furado, o mar revolto e contra a corrente? Pois eu queria que você sentisse que ter os braços doloridos vale a pena por nós. E vamos viver?Viver juntos. Quase do mesmo jeito - mesmo jeito louco - saindo para comer ás 4 da manhã, colocando a barraca no terraço só pra ver o sol nascer, fazendo sexo em cima da maquina de lavar e estourando o cartão de crédito comprando CDs e seriados. E então você me pergunta por que. Se vai continuar mesmo tudo igual, porque? Porque eu vou poder ter a certeza de que quando eu dormir e acordar na escada, depois da noitada, você vai estar do meu lado e vai me dar um daqueles sorrisos tortos e charmosos. Quando você estiver chateado e acabar cochilando no sofá, eu vou te cobrir e te dar um beijo na testa. Quando o acolchoado cair no chão escorregar para o chão durante a noite, o seu corpo vai me esquentar de um jeito que eu não vou nem mesmo notar. E para você ter certeza de que eu sempre serei o seu farol na ponta da ilha - e mesmo que o seu bote se afaste um pouco, eu vou sempre estar lá iluminando o seu caminho.